¨

O BemBom é formado pelo casal Geraldo Nogueira e Mari Jares. Tudo começou em 2007, quando eram apenas amigos, e tinham uma simples idéia, que era a de fazer um podcast com um pouco do que cada um mais gostava de ouvir, afim de que amigos e conhecidos ouvissem despretenciosamente. Do podcast pro dancefloor e daí pro site foi pa-pum...

September 22nd
14:54

Entrevista com Azari para a Pitchfork

Ótima entrevista do Azari & III para o site de música Pitchfork. Eles falam um pouco sobre o disco novo, inspirações e sua opinião sobre a música eletrônica. Infelizmente ela está em inglês, mas vale a pena o esforcinho pra acompanhar. 

September 21st
12:36

Top 10 DJ Sonia Abreu

 

O Top 10 de hoje é histórico. Pra quem não conhece, a moça ai na foto é a Sonia Abreu, a primeira DJ mulher do Brasil. Ela começou a carreira tocando uns discos na rádio Excelsior em 68 e uns anos depois sendo residente do Papagaio Disco Club. Os DJs da época não aceitavam mulheres assumindo a cabine de som e nem o público. Sonia foi persistente e conseguiu o seu mais que merecido espaço. Ela está na ativa tocando em São Paulo.

1. Kings of Leon - Use somebody

2. Bob Sinclair Feat. Michael Robinson - Tribute

3. Flo Rida Feat. David Guetta -  Club cant handle

4. AVICII & Sebastien - Drums my feeling for you

5. Carl Kennedy -Ride the storm

6. Firebug - Gimme your love

7. Jolly Boys - Rehab

8. Sawt El Atlas - Ne me jugez pas

9. Shantel - Disko Partizani

10. Bebo Best & The Super Lounge Orchetra - Come as you are

Veja a entrevista da DJ Sonia Abreu no Jô

July 19th
17:56

A vida de um malabarista no centro urbano de Belém

Por Geraldo Nogueira

A arte de fazer malabarismos tem uma longa história que data de 2000aC. Originalmente, os arqueologistas em suas pesquisas descobriram desenhos em tumbas egípcias de mulheres fazendo malabares e esses registros não foram encontrados só no Egito, mas também na Índia, China, Grécia, Roma, Tebas e em outras regiões da Europa, sob a forma de ilustrações, pinturas e em livros.

O malabarismo no passado tinha o objetivo de entreter e de mostrar a sua arte as pessoas na rua, fato que ainda continua nos dias atuais. Os melhores malabaristas trabalhavam para as grandes cortes, com a função de entreter o público nas grandes festas e banquetes que os reis ofereciam a nobreza. Juntamente a essa arte urbana o lado circense sempre esteve presente. Na metade do século XX por já ser uma arte conceituada e de grande importância, ela passou a ter o seu próprio grupo que funcionaria como um sindicato, fomando o InternationalJugglingAssociation - IJA (Associação Internacional de Malabarismo).

Os malabares atualmente evoluíram para além das bolinhas, facas e clavas. Hoje ele é usado em uma diversidade muito maior podendo ser feito através de fitas, de objetos que utilizam o fogo e de argolas.

Em entrevista com um malabarista de Belém, Higor Tohany, mostra como esta arte está inserida nos dias de hoje além de contar um pouco como foi o seu primeiro contato com os malabares, fatores sociais e sobre o que esperar para o futuro e suas experiências.

O primeiro contato 

Geralmente, o malabarismo é conhecido na infância pela maioria das crianças através das artes circenses, mas atualmente pode ser vista em uma volta rápida na cidade. Em cada esquina se vê alguém fazendo malabarismo e não diferentemente disso o nosso entrevistado que é malabarista profissional conta que conheceu o malabarismo há cerca de 3 anos, porém foi lá que ele obteve a visão mais profissional desta arte, vendo a como algo maior do que uma simples brincadeira. O seu primeiro malabare foi feito em casa, com 2 reais, onde o Swing Poi foi o seu escolhido. Para aprender malabares na era digital, é só recorrer a internet e procurar tutoriais e vídeos e passar horas por dia treinando.

É comum quem está aprendendo não largar os malabares, exceto para comer e tomar banho. “Ele andava comigo para todos os lugares, não sai da minha mochila, ia comprar pão malabares, acordava e já pegava nele ai eu dominei ele e em 6 meses eu já tinha um resultado bom” conta Higor.

Além do circo e das esquinas, os malabaristas são atração em diversos festivais, principalmente os de música eletrônica, pois agregam valores de diversas formas de arte em um único evento e trabalham com mais uma ferramenta de entretenimento além da música e vídeos. Em entrevista pergunto qual foi a sensação de ver os malabaristas em uma grande festa e peço que ele me conte qual foi a sua reação. Ele me conta que já tinha visto aqui em Belém, mas que foi mesmo em uma festa, o Festival Fora do Tempo, evento que ocorre anualmente no Maranhão, que ele viu que aquela forma de arte era muito bonita e isto despertou nele uma curiosidade e isso fez com que ele procurasse a conhecer mais sobre os malabares e neste momento ele iniciou o seu treino para se tornar o que é hoje, um malabarista profissional. Hoje ele faz malares nestas mesmas festa e em outras aqui como foi por conta própria no Festival Se Rasgum.

“Tem pessoas na cidade que fazem um trabalho legal e poderia ser associado a artes dos malabares com outras artes, fazer um insight no publico e produzir uma parte lúdica além da música, fazendo uma arte colorida, algo abstrato.” Ressalta Higor.

O dia-a-dia

Sabe-se que atualmente os malabaristas vivem nos grandes centro e que atuam trabalhando e ensinando a sua arte a quem se interessar mas é nos sinais que a vida deles acontece. Após cada apresentação eles esperam que as pessoas tenham apreciado o seu trabalho e o incentivem através de pequenas contribuições, assim como em um circo, onde se paga um ingresso para se ver um espetáculo, neste caso, espetáculo diário e exaustivo, sob sol ou chuva e de pequeníssimas proporções.

Sobre os seus ganhos, o malabarista Higor fala sobre como ele utiliza os ganhos que recebe trabalhando nos sinais. “utilizo o dinheiro pra diversas utilidades, como comprar novos materiais pra malabares, comprar tintas para incrementar o figurino, compro lanches pra comer, sorvete, cinema, pagar a internet, essas coisas. Talvez dê pra se sustentar com isso, mas não se encaixa no meu perfil porque tem que se dedicar muito tempo pra isso, um dia inteiro pra se conseguir um ganho bom”.

Quem acha que é fácil chegar no sinal, ensaiar uns movimentos e depois sair estendendo o chapéu em busca de um trocado pode procurar o que fazer pois os malabaristas são mais do que simples artistas. Eles trabalham diretamente com as oscilações do humor que a cidade tem. Belém ainda é uma cidade de tamanho relativamente pequeno, mas com cerca de 2 milhões de pessoas é fácil ver muita gente mal humoradas que não conseguiu passar no sinal amarelo e teve que ficar lá olhando para o malabarista e mais um monte de gente atravessando a rua. 

“A arrecadação varia em cada cidade, depende da personalidade dela, do astral das pessoas, do dia. Tem gente que consegue convencer mais pessoas e isso aumenta o lucro, tem gente que não. Também depende do dia do pagamento das pessoas, onde elas estão mais felizes, estão indo no supermercado, daí passeiam e assistem a gente e se sentem mais motivadas a contribuir. Não é só fazer os malabares, tem que trabalhar o humor da pessoa também. Na mídia só mostra coisas ruins da cidade e as pessoas reclamam disso, elas fecham a cara e nem sempre é fácil mudar isso. Com a gente também acontece a mesma coisa, as vezes não estamos bem com nós mesmos. O meu maior ganho foi em um feriado, daí tinha muita gente mesmo nas ruas, era um feriado religioso, eu tirei 50 reais trabalhando duas horas. Talvez as pessoas estivessem muito felizes nesse dia. Eu tenho um amigo em Goiania que em um dia normal faz 50 reais por dia. É como se fosse um emprego, mas é um suor muito mais vantajoso porque e é um cansaço que vale muito mais a pena porque a gente não trabalha pra ninguém, mas tu trabalha pra ti inteiramente, mas tu cria problemas musculares, tem que fazer exercício físico e tem que se alongar, tem que trabalhar isso, tem que cuidar do corpo e também a gente trabalha com fogo nos sinais então tem sempre um risco e também os carros que furam o sinal vermelho, é perigoso.”

Malabarista é o artista circense que trabalha nas ruas e fica quando o circo vai embora.

O Malabarismo

Apesar de ser uma arte de longa data, a parte sobre história é fundamental para entender a evolução desta profissão e esta informação mínima é desconhecida pela maioria dos profissionais. O centro de Belém hoje está cheio de crianças que trabalham em busca de dinheiro para seu próprio sustento, porém uma educação básica sobre Arte Circense e Malabarismo nunca lhes foi ensinada e do jeito que está nunca vai ser. Antigamente o governo disponibilizou a Escola Circo, local onde as crianças mediante boas notas e regularmente matriculadas nas escolas podiam participar e aprender o que acabava a ser uma nova profissão. Com o término dela, o governo deixou mais uma vez estas crianças órfãs  de mais um serviço disponibilizado gratuitamente. O que se vê hoje é um problema social sério onde centenas de crianças ao longo da Grande Belém ficam nos sinais e acabam usando o malabarismo para comprar drogas, para roubar os que estão parados no sinal, ou seja, se o problema foi recursos materiais e humanos para dar continuidade ao projeto Escola Circo, outras dezenas de problemas foram criados em detrimento deste projeto.

“Eu uso o malabare Swing Poi, é uma corrente com uma tocha na ponta e na outra uma dedeira, um pegador, é como se tu formasse um pendulo em uma das pontas e ele balança, é parecido com um Nun Chaku, e aquele peso fica muito reto, da pra fazer muitos movimentos com ele. Eu sei utilizar esses coloridos. O resto é outra modalidade de malabarismo, clavas, facas e bolinhas, eu não domino isso, mas eu sei brincar. O meu malabares mesmo é o Swing Poi”, explica Higor.

Em entrevista, uma questão que me preocupa bastante é a forma que esta arte é trabalhada no cotidiano da cidade, qual forma que mais pessoas assim como o nosso entrevistado faz para que mais pessoas possam utilizar esta arte não para ganhar dinheiro nos sinais, mas para que ela aprenda esta antiga forma de Arte.

“Nós trabalhamos com Arte e Educação com malabarismo. É possível trabalhar o corpo, trabalhar a disciplina, a coordenação motora e a intuição. Eu tenho muito equilíbrio com o meu corpo, consigo me levandar, ficar num pé, ir na frente e fazer uma dança, tudo isso fazendo os malabares. O primeiro passo é ensinar as crianças a fabricar o seu malabare e incentivar que ele brinque com eles, porque antes de mais nada, é um brinquedo, então é preciso ensinar como utilizar isso. A gente tem uns trabalha através do Coletivo Samauma, mostrando os malabares pras crianças, deixando eles brincarem, já deixando terem o primeiro contato e ficarem mais curiosos. A gente trabalha com pedagogia, arte e educação e permacultura lá no Instituto Refazenda, a gente ta encaminhando para virar um instituto que é uma unidade demonstrativa de Permacultura, localizado em Santa Bárbara. É aberto a visitações de colégios públicos e particulares. Até o momento seria o único aqui para trabalhar com teatro trabalhando a arte e educação relacionada ao meio ambiente. Em junto a isso a gente ensina a arte dos malabares e ecopedagogia”.

É comum que as crianças se interessem num primeiro momento a este tipo de projeto, mas sem um suporte adequado e uma disciplina proposta entre os organizadores de vários projetos semelhantes que Belém teve e ainda tem, as crianças acabam por se distanciar ou levar o que aprenderam pra um caminho errado, fato muito comum no centro de Belém. Infelizmente este fato é confirmado pelo entrevistado, que afirma que há crianças que se desassociam do projeto mas em contrapartida, quando eles vêem a parte lúdica, quando se mostra um personagem com a cara pintada e fazendo malabares, isto desperta nelas uma vontade de aprender mais aquela Arte e dessa forma é possível prender a atenção dele e fazer com que ele continue tendo interesse no malabarismo.

Pergunto se as crianças, que a gente vê em estágio de degradação, fazendo malabares nos sinais de Belém, são crianças de projetos mal sucedidos, ou se isto não tem nada haver com a outra. “Não tem nada haver não. O sinal é algo místico. O sinal é um lugar sagrado pros viajantes intinerantes, eles se apresentam nos sinais, nas praças e mostram um pouco deles, mas não é uma arte completa . No sinal hoje as crianças percebem esses viajantes de uma maneira lúdica, mas também percebem de uma maneira deturpada que é o que a sociedade diz que eles precisam, necessitam de dinheiro, que é o artista pelo dinheiro, mas esse dinheiro é necessária pra eles se manterem, pra ir a outras cidades, comprar figurinos, pra viver uma vida nômade. Hoje as crianças nas cidades vivem uma realidade mais deplorável, não é aquela coisa colorida toda, aquela coisa lúdica que é o circo, ou nos da pena ou nos horroriza e causa indiferença em algumas pessoas. Eu acredito que o artista vá viver um momento fora dos sinais e depois devolta a eles. Nesse primeiro momento eles teriam que sair dos sinais e ir ensinar a arte deles, fazer oficinas, se organizar, buscar conhecimento e montar grupos. As pessoas iam gostar de botar os seus filhos em uma escola de circo por exemplo, todo sábado na praça, as crianças iam lá brincar, iam aprender e isso seria bom. “ conta Higor sobre o que ele espera do futuro desta arte que é o malabarismo.

“Nós temos o banco de projetos onde estamos aprimorando os estudos pra trabalhar com os editais, principalmente o da Semear, e estamos somando os conhecimentos dos membros para incluir algumas coisas nos nossos projetos, como pedagogia, permacultura, tudo isso pra melhorar o Coletivo Samauma e para 2010 melhorar as nossas ações através de arte e educação somado a ecopedagogia. Já temos até um blog que (www.samauma.wordpress.com), onde tem os nossos vídeos, nossas vivencias no sítio, trabalhos desenvolvidos e claro, o sitio em Santa Bárbara está aberto a visitação”. Explica Higor em nome do projeto que faz parte, o Coletivo Samauma.

O sinal

“A indiferença faz a gente apenas a não olhar”, primeira frase que o malabarista nos diz quando eu pergunto sobre as pessoas que param e olham com indiferença, com nojo das pessoas que estão ali nos sinais e ele conta que essa reação das pessoas é fruto dos maus artistas que ao longo dos anos usavam esta profissão para roubar as pessoas ou para conseguir dinheiro e fazer alguma coisa errada e talvez com a ajuda dos próprios malabaristas esta situação mude, pois o sinal é sagrado, é nele que se recebe os artistas que viajam de cidade em cidade para divulgar e aprender novas formas de arte.

Aos domingos na Praça da República tem pessoas que fazem malabares utilizando facas, com fogo, danças e isso mostra que a cidade está tendo um crescimento maior sobre isso e apresenta as pessoas sérias pra fazer isso, pergunto se ele também tem esta mesma opinião. “Sim, as pessoas tem gostado muito, param pra ver. Na Duque por exemplo é lá. É a via do malabarismo de Belém. Lá aparecem artistas de verdade que se preocupam em fazer um figurino, que mostram um sorriso, mostram sua arte e depois vão pras suas casas e cuidam das suas famílias, que investem mais em si mesmos, nos personagens e também de poderem conseguir sustentar um sonho pois o artista não gosta de ficar num mesmo lugar, ele gosta de viajar e mostrar mais da sua arte em outros lugares e a outras pessoas. As vezes um sinal é pequeno demais então tem que haver uma divisão, é por isso que as vezes as pessoas se dividem em mais pontos ao redor da cidade para poder ter uma rentabilidade melhor”. 

Finalizando, pergunto sobre sua vida profissional, se ele vai fazer algum curso superior e como eu já suspeitava ele me diz que escolheu o curso de biologia, que quer fazer pois ele deseja estudar a vida nos seres. Eu estou fazendo cursinho e vou fazer a prova da UFPA pra Biologia. Eu penso mesmo em fazer doutorado. Estudar o comportamento animal, trabalhar com os seres vivos através da observação. Malabares é algo que manifesta em mim uma expressão artística muito bela e isso pra mim é mágico, porem existe um conhecimento que o meu pai sempre preza que é o de ir a uma faculdade, se formar e arrumar um emprego fixo, mas eu não concordo com a forma que é posto. Temos sempre que mostrar para o outro que alguém é superior a ele, sempre há questão da competição e isso faz com que a pessoa desista. E hoje pra passar no vestibular não é testado conhecimento, a prova é cheia de pegadinhas e lá no cursinho os professores dão os macetes pra não cair nessas pegadinhas e eu quero mesmo é fazer biologia, pois eu adoro estudar a vida, é algo que está em mim desde sempre”.

January 14th
17:32

Kim Ann Foxman

Nascida no Havai com residência atual em Nova Iorque, a DJ e cantora Kim Ann Foxman é viciada em vinis e não abre mão de discotecar com eles em seus sets. Em passagem por São Paulo no primeiro semestre de 2009, a integrante da banda Hercules and Love Affair tocou algumas das músicas que fizeram parte de sua formação, vários clássicos da House Music e mostrou com quantos Discos se faz um set. Entre um feriado e outro ela conseguiu um tempinho pra conversar rapidinho com a gente, confira abaixo.

Eu li em uma entrevista que você tinha um emprego em um club com 15 anos. Quando você se tornou DJ, seus pais falaram o que pra você? Eles te apoiaram ou falaram algo do tipo que você precisava estudar e ter um emprego de verdade?

Eu trabalhei em um clube quando era adolescente, mas não foi antes dos 15, foi com 17 anos. Eu trabalhava atrás do bar fazendo drinks para Ravers e servindo bebidas não alcólicas. Ainda continua sendo um pouco engraçado que eu tenha trabalhado em um clube enquanto eu estava terminando o colégio, porque minha mãe sempre estipulou um horário cedo pra voltar pra casa, mas por alguma razão ela permitiu que eu trabalhasse em um clube. Pouco tempo depois eu comecei a discotecar. Minha mãe ainda acha meio estranho o trabalho de DJ e Performer como um emprego de verdade. Agora ela está mais tranqüila sobre isso. Meu pai por outro lado acha muito legal que eu seja DJ e ele ama muito o Hercules and Love Affair. Ele sempre me encoraja para eu seguir o que quero e ser feliz. Ele é meio que um hippie, e acaba sendo mais tranqüilo sobre as coisas de modo geral.

A gente ouve você tocar vários clássicos da House Music, que impressões você tem sobre a House Music atual?

Eu amo a House Music clássica. Ela tem Soul! Eu amo Dance Music que seja um pouco obscura, meio lenta e depressiva digamos.

Para você, qual sera a proxima etapa da Música Eletrônica? Hoje nós podemos dizer que o estilo principal seria o ressurgimento da Disco e derivações, o que virá a seguir?

Eu não sei. Acho que muitas pessoas estão indo para a House Music, mas realmente não me importo com as tendências musicais. Eu acho que as pessoas deveriam ouvir o que elas querem independente se é moda ou não e as pessoas deveriam fazer a música que elas querem, independente da moda do momento.

Quem são os seus DJs preferidos e por quê?

Eu não sigo mais tantos DJs como eu fazia antigamente. Pra mim, meus DJs favoritos são de um tempo atrás quando eu ia pras festas undergrounds em São Francisco. Ah… saudade das lembranças, eu sou muito nostálgica sobre o tempo que passei em São Francisco. Nesse período eu adorava o DJ Garth, do Wicked Crew. Quando me mudei pra São Francisco o Wicked Crew era o único grupo da cena de música eletrônica de lá. Foram os meus anos festeiros preferidos da vida inteira! Foi isso o que me deixou maluca por todo o tipo de Dance Music, especialmente pela House Music.

Também adorava o Tony do Tem Gathering e Solar, todos os dois de São Francisco. O Solar era da Pacific Sound que era quem fazia umas festas ao por do Sol que ia até amanhecer… eu nunca perdiauma. Ele tocava muito Deep House,  Jacking, Chicago e Techno, claro! Ele é uma pessoa muito queria e um ótimo amigo. Foram muitos os grandes DJs que eu adorava ouvir… Doc Martin, Derrick Carter… Hoje a maioria dos meus DJs favoritos viraram meus grandes amigos. Eu adoro o estilo deles, a linguagem que eles usam nos seus sets, eu os amo, mas não por alguma coisa boba e sim porque eles como DJs e pessoas mexem comigo.

Andrew Butler também me inspirou e me moldou durante esses anos todos em que estamos juntos como amigos e por causa do trabalho que fazemos juntos. Foi com ele que aprendi muita coisa sobre música e nós gastamos muito tempo juntos, durante anos pesquisando por preciosidades, em pilhas de discos. Andrew Butler não é somente um ótimo compositor e produtor, mas também um ótimo DJ e pra complementar, o namorado dele, Jason Keding é um outro excelente DJ. Ele realmente mexe comigo, sério! Também gosto do Saheer Umar do House is House. Ele é um doce e é super divertido tocar com ele. É uma pessoa super positiva e é ele quem aquece a cena de Nova Iorque ultimamente. Eu amo tocar com ele.

Quando você veio ao Brasil tocar na festa Ludo, festa do Márcio Vermelho, o que você achou daqui? Nós estamos na direção certa da música ou estamos meio que desatualizados?

Eu não acho que o Brasil esteja desatualizado. Acho que as coisas estão no caminho, o pessoal está aprendendo coisas novas e os brasileiros sabem como fazer uma festa. Eu toquei em três festas muito divertidas aí, uma no Rio de Janeiro e duas em São Paulo. Quando estive aí foi muito bom, festas bacanas, gente legal e muita musica boa!

Você gostaria de voltar aqui de novo? O que você faria dessa vez que não deu tempo de fazer na outra vez?

É claro que eu gostaria de voltar! Eu não vejo à hora de voltar pra tocar, não só como DJ mas também com o Hercules and Love Affair. Nós ainda não tocamos ai no Brasil. Na próxima vez que eu voltar eu vou procurar visitar novos lugares. Fiz alguns bons amigos ai e espero que eles me levem pra conhecer esses lugares. Há muita diversão pra se ver ai, muita coisa diferente e pessoas legais. E também quero ir à praia no Rio. Na outra vez não tive muito tempo pra fazer isso, ah e também quero comer mais pão de queijo. É divino!

E sobre o seu trabalho de Designer de Jóias, que novidades você pode falar pra gente?

Bem, eu ando muito ocupada e na maioria das vezes estou voltada para a música, mas eu vou lançar algumas coisas novas em breve, algo mais urbano e o pessoal já está ansiosos pra dar uma olhada nesse novo material.

Qual tipo de arte você gosta mais?

Eu gosto de todos os tipos. Eu pessoalmente não sou muito boa quando o assunto é arte de maneira geral, mas eu gosto muito. Eu amo fotografia e arte clássica. Amo dançar e adoro filmes. Eu gosto muito dos processos de criação.

Quais são seus projetos para 2010? O que podemos esperar de você como DJ e como cantora no Hercules and Love Affair?

Bem, eu estou muito empolgada com a nova formação do Hercules. Estou muito feliz ultimamente, tenho me divertido muito com eles. Nós fizemos uma pequena turnê e o resultado foi muito positivo. Nós temos uma química muito legal no palco e as coisas funcionam bem, é um ótimo time. Andy está terminando o novo álbum e eu tenho ficado apaixonada por ele e não vejo a hora dele ser lançado. Tem um single novo que está pra ser lançado. O Nome da música é “I can’t wait”, que vai estar fora do cd mixado que o Andy fez, o álbum Sidetracked (Renaissance). Kink tem um remix bem legal que também vai ser lançado em breve. Eu mal posso esperar pelo lançamento de “I can’t wait”! Vai estar disponível na Beatport. Na maioria das vezes, este ano, eu estou cantando muito junto com a banda e em várias músicas novas. Eu vou continuar discotecando até o cd novo do Hercules ser lançado e após isso vou me concentrar apenas na turnê. Também estou trabalhando nas minhas músicas próprias e o resultado delas tem sido muito bom. Então pessoal, deixem seus olhos e ouvidos bem abertos para as coisas novas que estão por vir!

Qual é o seu Top 10 de músicas favoritas? Pode ser o que você mais toca ou músicas que fizeram parte da sua vida, você escolhe.

Mesopotamia - B52’s

- Uma música preciosa que nunca morre.

Experience – Connie

– Uma faixa Freestyle que eu amei crescer ouvindo, no Hawaii.

Feel it - Coco Steel and Love Bomb

- Um classico da House que está no meu case de discos

I Can’t Wait - Hercules and Love Affair (Kink Mix)

– Um remix legal que eu amo tocar

LFO - Leeds Wharehouse Mix

- É do tempo das Raves e também dos bons tempos de dançar com o Andy no apartamento dele.

Deee-Lite - What is Love

– Eu costumava ouvir essa música no carro, todo dia, no caminho pra escola quando eu era adolescente.

Technotronic - Pump up the Jam

– Quando esse som saiu eu amei muito!!!

Disco Juice - Cloud one

- Fico feliz em ouvi-la e também me lembra um pouco São Francisco.

Lorelei - Coctaeu Twins

- Eu era muito fã do Cocteau Twin e essa é uma das minhas músicas favoritas!

Hercules and Love Affair - Athene

– Realmente a primeira música que eu canto para o Andy e vai ser sempre muito especial para mim

Hercules and Love Affair - Athene

Kim Ann vai à loja de Discos

Para acompanhar e ouvir:

Myspace - http://www.myspace.com/kimann

Twitter - http://twitter.com/kimannfoxman

Beatsinspace -http://www.beatsinspace.net/playlists/436

Deepbeep - http://www.deepbeep.com.br/deepbeep-volt-kim-ann-foxman

Entrevista: Geraldo Nogueira

December 3rd
01:12
[Flash 9 is required to listen to audio.]

Bonde do role

Formado em 2005 o grupo veio ao mundo para mostrar com quantas letras se faz uma bagaça de ponta. Tudo começou com o Pedro D’Eyrot, Rodrigo Gorky e Marina Vello. A proposta era fazer música sem compromisso, com letras que brincam com situações do cotidiano e que são tratadas de maneira nada convencional. Bem Vindos ao Bonde do Rolê!

Em 2007 a vocalista Marina Vello acabou se desligando da banda e em um concurso feito na MTV foram eleitas duas novas integrantes, as vocalistas Laura Taylor e Ana Bernardino, cuja formação se mantém até hoje.

Cheios de projetos e em uma imensa correria, conseguimos bater um papo com o Rodrigo e conversar sobre diversos assuntos sobre a Banda. Confira abaixo a entrevista.

Geraldo - Por que o nome Bonde do Rolê?

Gorky - O role do nome vem do lanches role, uma lanchonete perto de onde eu e o pedro moravamos em Curitiba e bonde vem dos “coletivos” do rio. Nunca pegamos e pensamos como iriamos nos chamar. Na epoca a gente tinha umas 5 bandas ao mesmo tempo, tinha alem do bonde, o deviant kid 001, que era o projeto solo do pedro, comigo produzindo, tinha o gessica quer dancar, que era o projeto principal, so que o que acabou vingando foi o bonde. ah, tinha os tutanos também, que era o nosso projeto “acapella”, tipo o medulla da Bjork.

Geraldo - Como o Bonde do Rolê se formou?

Gorky - As bandas eram sempre eu e o Pedro e o Bonde também. A primeira musica do bonde, melo do roboroque, era eu e ele. A marina entrou na verdade pra cantar no Géssica, so que eu pus no cd pra ela ouvir todas as outras bandas e ela quis gravar uma com o bonde também, dai acabou que o bonde é que virou a banda principal, dai jogamos todas as outras de lado mas o mesmo lance de fazer  50 milhões de coisas ta voltando tudo de novo, so que agora dentro do bonde, que é o disco de sambas. Meu disco “solo” de rockabilly e o disco infantil.

Geraldo - As outras bandas que você tinha eram de eletrônica?

Gorky - Sim, o Gessica era Electro, o Deviant Kid era Pop, mas feito tudo com samples, o Belleatec, de Bossa Nova eletrônica, os Tutanos só que era Acapella, mas cheio dos efeitos.

Geraldo - Samba? Por que samba? Conta mais pra gente.

Gorky - Na verdade não só Samba, mas um pouquinho de tudo porque fizemos um sambão que iria pro disco novo, só que dai começamos a fazer vários e um puxou o outro e dai virou uma apresentação ao vivo. É uma idéia de um dvd futuro. A gente já fez as primeiras gravações uns meses atrás no rio.

Geraldo - Como é o gosto dos integrantes da banda? O que mais ouvem?

Gorky - Cada um ouve de tudo um pouco. Pedro ultimamente tem ouvido muito Soca, Laura fica oscilando entre o Rock e o Hip Hop, Ana só deus sabe o que ela ouve e eu ouço de tudo um pouco.

Geraldo - Por que a idéia de formar um grupo voltado ao Funk Carioca?

Gorky - A idéia foi sempre se divertir. Acho que o Funk era uma coisa fácil e que na época escutava muito e também discotecava muito nas festas em que era Dj.

Geraldo - E o Bonde do Role já tinha essa característica ou ela foi acontecendo com o tempo?

Gorky - Característica de que? De usar o Funk carioca? Foi o nosso principio básico desde o começo, tentar fazer Funk Carioca, mas sem usar os samples óbvios que o pessoal do rio sempre usa por isso que veio muito samples de rock, coisas que remetiam a Funk Carioca - como Teachers e Oh Yeah do Daft Punk, Requiem For a Hit da Miss Kittin, Wild Thing do Tone Loc e Mentirosa do Mellow Man Ace.

Geraldo - E falando sobre a idéia de produzir e se divertir, você acha que se o Bonde do Role não tivesse esse jeito mais escraxado, falando sobre coisas do cotidiano e tirando sarro delas, você acha que a banda teria feito tanto sucesso, pois isso acabou sendo um dos diferenciais, o que chamou muita atenção em quem ouvia?

Gorky - Depende, acho que aqui no Brasil sim, mas lá fora acho que foi o inusitado de usar samples diferentes e por ser algo que não estavam acostumados por mais que usássemos samples conhecidos.

Geraldo - Você falou sobre os samples e as influências que as músicas apresentam, como que é a produção das músicas? Tem horas que o som se parece mais a um “pancadão”, outras já entram umas guitarras pesadas e outras são muito eletrônicas, como funciona essa experimentação? O público quando escuta aceita bem?

Gorky - O publico acho que já se acostumou com a misturada toda, a produção também é feita muito solta, se demora demais pra ficar pronta, não soa tão espontânea, acaba soando “travada”.

Geraldo - Como funciona o Bonde do Rolê no Rio de Janeiro, cidade criadora do Funk?

Gorky - Então, até hoje não entendemos muito bem. Fizemos três shows no rio ate hoje e um foi no Tim Festival e outros dois “soltos”. Todos foram legais, mas muito segmentados.

Geraldo - Acha que rola algum preconceito por parte do pessoal do Rio em relação a vocês virem de outras classes ou por que não são nativos de lá e conseqüentemente um dos originários desse som vindos dos morros cariocas?

Gorky - Rola, mas são muito poucos, trabalhamos já com muita gente lá do rio e todos foram ótimos, mas sempre tem um ou outro que não gosta muito. Acham que estamos “roubando” eles.

Geraldo - Quais os futuros projetos?

Gorky - Então, ver se lançamos tudo isso (o disco novo, o disco/dvd de Sambas, o disco/dvd Infantil) pro quanto antes e voltar a fazer remixes. O de samba é o primeiro, dai queremos fazer um de cada estilo meio que EPs/Mini Discos com 5 ou 6 musicas no máximo cada. Também vai ter de Arrocha, Tecnobrega, Forró, Suingueira, Axé ainda não sabemos qual  vai ser o vol. 2

Geraldo - Falando nos remixes, como tão os do Bonde do Role? Entre produções próprias e remixes, qual o número total de músicas lançadas?

Gorky - Vixe, tem bastante. É  um disco inteiro que não saiu (por causa dos samples) mais o disco que saiu mais os lados b e mais os remixes que fizemos dão mais de 50 produções nos últimos três anos.

Geraldo – Uma vez você me disse que achou lindo quando viu um camelô em Campinas vendendo um cd com as músicas do Bonde, como é perceber que grande parcela da população escuta o som de vocês?

Gorky - Na verdade ainda não tenho essa sensação. Acho que terei quando for parado na rua pra dar autografo rsrsrs…

Geraldo - Como anda a parceria com o Diplo e o Cansei de Ser Sexy?

Gorky - O pessoal do Cansei são amigos nossos e o Diplo é o nosso chefe/produtor.

Geraldo - Tem rolado algo em conjunto com eles ultimamente ou está parado?

Gorky -  Com o cansei nunca fizemos nada juntos alem de alguns remixes e uma turnê juntos e com o Diplo é o lance do disco, ele que vai produzir o disco novo também.

Geraldo - Qual foi a melhor apresentação de vocês?

Gorky - Vixe, pergunta difícil…

Geraldo - O que cada um da banda faz enquanto não está tocando? Algum emprego fixo ou coisa do tipo?

Gorky - Nada, todos trabalham com o bonde alem de discotecarem. Ah, minto, a Ana ta estudando canto e a Laura trabalha com moda.

Geraldo - Onde achá-los à noite enquanto não estão se apresentando?

Gorky - Depende do dia da semana, mais fácil achar na internet.


Play count: 21 | Download
November 27th
16:56
[Flash 9 is required to listen to audio.]

Victor A

Estamos começando uma nova fase aqui no site e esta é a primeira de muitas outras novidades que estão por vir. A primeira delas é que além dos Top 10 já conhecidos, a gente inaugura a parte de entrevistas com algumas pessoas que consideramos de fundamental importância quando o assunto é música, sendo ele local ou não.

A pessoa que escolhemos para ser o primeiro a contribuir um pouco com sua história, conhecimento e uma grande simpatia é o produtor Rotciv, também conhecido por Victor A. Dono do selo Mister Mistery, Victor é a grande promessa em produção de Música Eletrônica, principalmente quando se trata dessa nova fase que a cena vive, a da Disco repaginada, com um toque antigo e nostálgico.

Além da entrevista, o nosso querido amigo preparou um set cheio de músicas inéditas especialmente para o site do BemBom. O resultado foi incrível, então é só por a trilha pra rolar e se deliciar lendo a entrevista.

Geraldo - Conta aqui, o que é o A de Victor A?

Victor - Então é do meu sobrenome que é Augusto e Victor augusto não fica legal pra dj, então virou Victor A em 97. Isso me irrita um pouco hoje, dae ultimamente to pensando em mudar pra Victor Rotciv o nome de DJ, e Rotciv o de produtor.

Geraldo - Como que você começou a produzir?

Victor - Tá meio difícil dizer quando porque eu já tocava piano e teclado aos 13 anos e com o teclado costuma fazer arranjos com batidas, acordes e tal. Depois, no final de 96 virei dj e não sei quando, mas não faz muito tempo, comecei a brincar no Fruity Loops, que é um programa dinossauro de fazer musica.

Geraldo - Qual foi o melhor contato? O de dj ou do piano?

Victor - Então, não sei! Sempre fui apaixonado pelo som do piano, todo mundo em casa fazia algum instrumento e eu optei pelo piano. O teclado foi mais tarde quando descobri que tinha mais opções de sonoridade, ah e eu desde criança gostava de Dance Music, nunca gostei de outra coisa, até sei apreciar hoje em dia porque aprendi, mas isso veio com o tempo. Em casa só se escutava Dance Music, Synth Pop, 80’s 90’s e tal, aquela coisa clichê, Depeche Mode e New Order

Geraldo - O que você faz além de ser dj, produtor e dono de selo?

Victor - Bom, dj foi meu primeiro emprego e continua sendo até hoje.  Com 17 anos já tocava por ai, ganhava meus cachezinhos pra comprar vinil etc. Já trabalhei em outras coisas mas do ano passado pra cá larguei tudo pra focar na produção. Vim pra Floripa há 4 anos pra gerenciar um restaurante com meu irmão, que mora aqui a mais tempo. Fiquei por uns 3 anos só e nesse tempo não toquei muito, a noite de Floripa é meio fraca, e ia tocar em São Paulo muito de vez em quando, agora que voltei só a produzir e a tocar estou me sentindo mais feliz e realizado, mas a vida de artista é uma escolha difícil… Não dá pra se programar muito, fazer previsões de trabalho, grana etc. Penso que no ano que vem devo voltar a ter um dayjob.

Geraldo - Como produtor e pelo estilo da “Disco” voltar a estar na moda, as coisas melhoraram ou tem se mantido na média?

Victor - Sim, as coisas melhoraram obviamente, tanto porque o segmento ainda não é muito explorado aqui entre os produtores, quanto pelo sucesso que as produções minhas e das minhas parcerias tem feito de qualquer maneira a recompensa financeira não existe, tenho que ter isso através das gigs como dj ou live.

Geraldo - E sobre raves ai em Florianópolis, como que andam? Eu lembro que houveram umas festas grandes incluindo os clubes também. Como que ta a cena Underground e Mainstream aí?

Victor - Bom, estou em Floripa há 4 anos apenas, mas percebi que com a proibição das raves e outros fatores que a cena sofre com a falta de continuidade, é como se todo ano houvesse um começo e um fim com a saída do verão. Não posso falar pelo estado de SC porque existem muitos clubes fora de Floripa que tem uma cena estável, como o Warung, por exemplo. Em Balneário Camburiú, raves como Green Valley e Tribal Tech movimentam muito publico, na verdade a cena mainstream aqui funciona muito bem, enquanto a underground está mal das pernas.

Geraldo - Quais os lugares você toca quando está em Florianópolis?

Victor -Então, a única festa com meu perfil é a Devassa, do promoter e dj Tiago Franco, ela é itinerante e não freqüente, as vezes bimestral as vezes mensal. Já toquei e residi ate em alguns clubes aqui, mas todos “morreram”, não existem mais pela falta de publico como a Circuit por exemplo, que não durou nem 6 meses. Existem muitos clubes pro norte da ilha, como o P12, Km7, El Divino e outros, mas eu particularmente não me identifico com a proposta desses.

Geraldo - De onde vem essa influência de acid, chicago e detroit nas suas músicas?

Victor - Bom, acredito que minha musica é uma mistura de tudo que ouvi com o tempo, muita gente acredita que uma boa linha de som é ser “fiel” a um estilo, segurar bandeira, etc. Eu acredito no hibridismo, na mistura e na soma, não na segregação ou na linearidade, então isso vai meio no caminho contrario da maioria dos produtores, mesmo assim ainda tem sempre um som característico meu, mesmo com essa “bagunça de estilos” existe uma sonoridade própria, uma identidade…

Geraldo - Porque o nome Mister Mistery? Como que tá o selo?

Victor - Quando pensei em montar o selo foi por uma necessidade de lançar as minhas musicas, eu já estava sentindo um resultado bom desde 2005, ano que saí de São Paulo pra morar aqui em 2007 alguns djs já começaram a tocar minhas produções no horário nobre dos seus sets, como o Márcio Vermelho e o Pareto,

Então em 2008 lancei o primeiro trabalho comercial pelo selo do dj Pejota, o Rainbow Socks. Era um remix pra musica Trouble Vacation dele. O cdj já estava sendo mais usado nos clubes e os djs começaram a ver a mídia como fato secundário ou não tão importante, então resolvi montar o selo somente digital e também pelo fato do vinil ter produção mais lenta e cara. Depois fiz mais um release solo e comecei a pensar nas parcerias, um dos fatores principais pro sucesso do selo acredito. O nome Mister Mistery veio do nada, eu queria focar a atenção no mistério e nas sonoridades mais obscuras, fortemente influenciado pela Italo Disco, que na época do surgimento do selo (agosto 2008) estava sendo uma febre nos meus playlists. O nome Mister veio de uma das musicas que gostava muito e que está no top 20 que fiz pro BemBom, alias em 2 até. A palavra Mister também era bem comum na Italo. O nome Mister Mistery é grafado errado porque as palavras são quase iguais, porem mystery se escreve com 2 ys.

Geraldo - Sobre o MP3, como você vê esse tipo de mídia nos dias atuais? Você acha ruim que as pessoas baixem suas músicas, ou então que comprem e disponibilizem?

Victor - Então, isso é meio controverso sinceramente. Todo mundo baixa musica por ai, seja em blogs, sites ou nos soulseeks da vida. A internet tem o poder de divulgação muito rápido e intenso, mas eu como artista tenho separado um pouco o que disponibilizar ou não. Acho que a revolução mais importante do mp3 é fazer as pessoas verem que o importante é a musica e não a mídia em que ela vem gravada, isso tem ficado mais claro ultimamente, antes o dj era obrigado a ficar preso ao vinil, não tinha muita alternativa pra ter o tipo de som que gostávamos em outro formato, gastava rios de dinheiro por um vinil que tem uma musica de cada lado muitas vezes.  Essa revolução tem um lado muito bom porque deu liberdade ao dj ter mais repertorio, que no final é o mais importante numa pista, noite ou mesmo em casa.

Geraldo - Quais são as novas produções? Dá pra adiantar uma?

Victor - Nesse ultimo período, depois de lançar 12 releases em pouco mais de um ano de vida da Mister Mistery, o feedback e as parcerias do selo começaram a frutificar fazendo minha produção e dos meus parceiros (Davis, Zopelar,Pejota, Pareto, Glocal, etc.) ganhar um destaque maior tanto aqui no Brasil quanto lá fora. As propostas e parcerias com outros selos e produtores estão sendo o enfoque no momento enquanto o próximo lançamento da Mister Mistery não sai. Recentemente lancei um EP solo pelo selo digital nacional Fat&Blind com venda na Beatport. Remixei a faixa “After Midinight” do duo Glocal para o selo italiano Rebirth com venda em todas as lojas e formatos (vinil, mp3, etc.) prevista pro dia 30 desse mês e em breve lanço mais um EP solo intitulado “Mistake” também pela Rebirth Records, selo que lança produções do Tensnake, Faze Action, Ajello, entre outros. Também lancei um projeto novo com o dj e produtor Luiz Pareto, sob o nome The Uncorrectables, com releases pelo selo dele (Rebolado) e também pela Mister Mistery

Geraldo - Você está com alguma residência?

Victor - Toco freqüentemente nos clubes D-edge (festa Freak Chic), Glória (Perversa), Vegas (Ludo) e agora no novo Hot Hot (festa Danceteria), todo em São Paulo… Em Florianópolis costumo tocar nas festas Devassa. Sem residência fixa mas toco regularmente nas festas.

Geraldo - Qual foi a festa mais legal que você já tocou?

Victor - Nos últimos 6 anos as Freak Chic (D-edge) foram as melhores festas que já toquei com certeza, mas lembro de uma Devassa no iate Casablanca muito especial e também algumas raves dos anos 90.

Geraldo - Pra tirar você de casa, o que uma festa tem que ter?

Victor - Música instigante, público interessado e amigos e se estiver tocando Rotciv, melhor ainda rsrsrsrs…

Geraldo - Como você reage ao chegar a um lugar e ouvir uma das suas produções?

Victor - Boa rsrsrsrs.. .isso tem ocorrido com freqüência. Já cheguei de surpresa em alguns lugares e vi que o dj toca minha musica sem saber que eu estou lá. A sensação é sempre muito boa, ver que varias das minhas musicas funcionam muito na pista de vários lugares e djs daqui. Ao mesmo tempo é uma sensação diferente pois foi você que criou a musica, então sempre olha pra ela de maneira critica e diferente, sei lá é único!

Sites:

http://rraurl.com/rotciv1978

http://soundcloud.com/rotciv

http://rotciv1978.blogspot.com

http://www.myspace.com/djvictor_a

http://www.discogs.com/artist/Rotciv

Tá gostando? Quer sugerir algo? Comenta ai embaixo ou manda um E-mail


Play count: 59 | Download
November 25th
00:38
Scaneando novidades!
BemBom apareceu na Revista CPF #2!
A distribuição é gratuita e pode ser encontrada em todo o Circuito Jokerman Belém que conta com mais de 90 pontos para você puxar seu postal.
Créditos pra nossas fotos, Karol Khalifa (aproveitando a liga dos nomes fictícios).

Scaneando novidades!

BemBom apareceu na Revista CPF #2!

A distribuição é gratuita e pode ser encontrada em todo o Circuito Jokerman Belém que conta com mais de 90 pontos para você puxar seu postal.

Créditos pra nossas fotos, Karol Khalifa (aproveitando a liga dos nomes fictícios).